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Archive for the ‘Londres’ Category

este papel com as palavras “moitara london 2008” escrita com furinhos em um papel A2 faz parte da obra Dots on demand dos artistas Jurg lehni e Alex Rich que estava exposto no Instituto de Contemporary Arts de Londres, onde os vitantes podem escrever palavras em um computador que aciona algo parecido com uma ploter de recorte, e , então recebem o papel furadinho. Esta troca não ficou completa pois os artistas não estavam presentes para receber o Moitará e a monitora responsável pela exposição estava ocupada fechando as portas da galeria e expulsando os últimos passantes do dia (no caso eu). fica então aqui a convocatória.

“Queridos Jurg lehni e Alex Rich, quando estiverem de passagem pelo Rio de Janeiro procurem o Grupo UM ou o OPAVIVARÁ! para receber o Moitará que lhes é de direito”

“Dear Jurg lehni and Alex Rich, if you come to Rio de Janeiro, please contact Grupo UM or OPAVIVARÁ to recive your wonderful Moitará”

Moitará 111 Jemma – Londres, Reino Unido.

No dia seguinte ao fechamento do festival Josh (moitará 356) veio bater no meu quarto minutos antes de eu ir embora. Ele estava preocupado com Jemma, uma das voluntárias do festival que é muito sua amiga. Me conta que ela não pode vir no dia anterior, mas que queria muito um Moitará. Tentei explicar que não era assim que funcionava que a troca é um lance pessoal. Ele insistiu que queria trocar e me ofereceu esta camisa, dizendo que é sua favorita e que Jemma iria ficar tão feliz por ter um Moitará. Fiz então a troca para agradar as crianças (os londrinos, e o Domingos que é fâ do Manda-chuva)

Moirará 793 – Erika Tambke. Londres, Reino Unido

Minha última troca em londres foi com uma amiga antiga. A Erika e eu estudamos juntos no segundo grau, bons tempos do grêmio autogestionário Luís Travassos (CEAT) das revistas Espalhafato e depois da revista Et Cetera…

Bem, Erika, que está morando por aqui já algum tempo, me recebeu em sua casa por dois dias antes de eu voltar ao Brasil com direito a almoços especias e visita ao parque. Entreguei o Moitará 793 a ela pela hospitalidade e também pelos velhos tempos.

Saldo do moitará em londres: total de trocas 33 (+ uma incompleta)

14 moitarás ficam no reino unido, 2 pra ruanda, 2 para malásia, 2 para grécia, 2 para frança, 2 para kênia, 2 para turquia, 1 para polônia, 1 para nova zelândia, 1 para bangladesh, 1 para holanda, 1 para africa do sul, e 1 para gana. Felicidades.

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As trocas a seguir foram feitas todas no último dia do festival. O clima de festa e despedia que reinava fez com que eu realmente relaxasse de alguns critérios mais rígidos que eu vinha seguindo como não trocar por coisas similares. O que aconteceu é que eu aceitei a maior parte das ofertas que me eram feitas sem negociar, mesmo assim no geral as trocas em geral foram interessantes.

O Moitará neste dia ganhou um status muita particular. Todos queriam ter um no pescoço, mesmo sem saber porque. Pessoas que eu tive pouco contato me procuravam com um enorme vontade de possuir um Moitará.

Moitará 338 – FRANCINE NYIRAKOBWA, Ruanda
Esta foi realmente a mais troca non-sense. Estávamos Francine de Ruanda, eu e Maria do Kenia (moitará 21) no quarto de Tahi da Nova Zelândia (moitará 53) enquanto esta fazia a mala, pois ela iria pegar um vôo um dia antes dos demais. Francine fala apenas kianyarwuanda, entende algumas palavras de francês e algumas outras de kiswahili (lingua do kenia) de forma que maior parte da sua comunicação durante estas duas semanas foi em mímica. Maria explicava o que é o moitará em kiswahili para ela que parecia quase entender. Tahi pediu para ela mostrar uma batucada pois escutara que ela é percussionista além de dançarina. No meio destas conversas perguntei em mímica e português se ela queria fazer uma troca. Ela respondeu que sim. Depois de mais algum diálogo gestual coloquei o moitará no seu pescoço, ela parecia muito feliz e me abraçou. Ao final fiquei sem saber pelo quê foi a troca. Se foi pela batucada ou pelo abraço ou apenas por esta conversa. De toda forma, depois de duas semanas sorrindo sem conseguir se comunicar não restava dúvida de que ela mereceu seu Moitará

Moitará 682 – LYDIA TOWSEY, Reino Unido.
Lydia, poeta feminista do norte da Inglaterra, me trouxe ente cartão comprado no centro de arte contemporânea Baltic durante a viagem que fizemos a Gatehaed com a Millenium Bridge, principal atração da cidade, para colorir. vinha acompanhado de pequenos lápis. Ela coloriu na hora antes de me entregar.


Moitará 234 – EWAN CAMERON, Escócia, Reino unido.
Ewan (se fala ivan) me trouxe uma página do seu diário. ele tinha um pouco de vergonha , ma parece, pela qualidade do papel, complementou a troca com um guarda-chuva. Como eu ia ficar mais 3 dias na cidade, achei ela seria útil…

Moitará 194 – AYANNA WITTER-JOHNSON, Londres, Reino Unido

Ayanna foi uma das primeiras que me procurou dizendo que realmente queria muito ter um colar Moitará. Parecia um pouco aflita me explicando que não tinha nada para trocar, com ela trazia apenas a bolsa de com coisas de banho. Então teve um estalo e pegou este frasco de shampoo dizendo que era o seu favorito. Eu que já tinha terminado meu sabão a um dia achei a troca muito útil.

Moitará 187 – KONG CHIN HUA, Malasia
Trocamos por esta camisa que comemora os 15 anos da cia. de teatro que fazem partes Kong e Chen. Na camisa as palavras grandes dizem 15 milhões de memórias e as pequenas explicam que é o aniversário da cia.

Moitará 552 – PATRICIA APERGI, Grécia
trocamos por esta belo livreto do último espetáculo da sua cia. de dança contemporânea. É uma publicação interessante com uns poemas e espaço para escrever além de umas imagens estranhas. nesta página uma foto dela quando era criança (a direirta com bikini amarelo).

Moitará 346 – JOSHUA CHESTER, Londres, Reino Unido
Trocamos por este pente. O pitoresco deste objeto é que é um pente para fazer penteado Black Power e tem o símbolo do movimento Black Power

Moitará 356 – CHEN FOOK MENG, Malásia
Esta foi uma troca encomendada. Eu vira os rascunhos do monólogo que ele apresentou em chinês no encerramento do festival e pedira para trocar o monologo pelo Moitará. Ele fez esta bela cópia nesta papel cumprido que se fecha como um envelope. Por fora escreveu meu nome em chinês! e usou uma moeda malasiana como fecho. O monologo e tem o titulo ”meu sentimento de estar em Londres” resumindo ele conta que não se sentiu bem na cidade…

Moitará 14 – SOFIANE CHALAL, França
Trocamos pela pulseira que carregou no pulso a 3 anos.

Moitará 211 – ALESANDRA SEUTIN, Londres, Reino Unido
Ela me ofereceu este frasco de perfume de Vanile. Eu que não tenho uma relação boa com perfumes em geral hesitei pensando nos riscos de derramamento da viagem de volta ao Brasil. Ela insistiu “ this is my smell” disse fazendo um bico com os lábios e entrecerrando os olhos em uma expressão caricatamente sex. aceitei.

Moitará 264 – MATHILDE LOPEZ, Londres, Reino Unido
Mathilde faz parte da equipe de produção do festival. Também ela veio com a história que que queria muito trocar, mas não tinha nada… Foi então pensando alto junto comigo. “Não posso dar minha blusa, não posso dar minha calça, não posso dar meu sapato… o sutiã, você trocaria pelo sutiã?” claro que trocaria, respondi, porque não?
Mas ela voltou atrás achou que seria arriscado voltar para casa sem o sutiã. Depois veio me propor a troca pelas meias. Disse que não podia aceitar. Porque aceitar as meias se ela havia oferecido o sutiã? E ficamos nisso.
Algumas horas depois ela voltou a insistir, fez propaganda das meias que eram novas, limpas, lindas “meias de menina francesa”. E eu aceitei, porque não?

Moitará 200 – STELLA ODUNLAMI, Londres, Reino Unido
trocamos por mais um produto do Baltic, um boton do Yoshitomo Nara pintor japonês pop que esta em exposição lá.

Moitará 267 – VANESSA FERDINAND, Londres, Reino Unido
toca pelo perfume (outro perfume!) que vem neste frasco cabeça.

Moitará 619 – POPPY VAN OORDE, Londres, Reino Unido
Poppy é a fotografa oficial do festival. ela veio me oferecer este estranho 3×4 da sua melhor amiga, Bonnie, que carrega a 5 anos em sua carteira desde que o ganhou. valeu pela história da relação “Popy e Bonnie” e pela carga emocional que a foto carrega.

Moitará 689 – LINAR OGENIA, Holanda
Linar queria encontrar algo especial para trocar e também achava que não tinha nada. Agradeci ao cuidado dele, mas disse que certamente ele encontraria algo em sua mala que valeria uma troca. me trousse esse óculos sem grau que usa às vezes por “stile”. o óculos fez muito sucesso durante a festa circulou por vários rostos e quase que o perco. No dia seguinte tive que procurar por ele para recuperá-lo. me agradou o fato de seu muito parecido ao óculos que eu usava na performance “Complexiótica” nos idos de 2001…

Moitará 470 – MASANDE NARWELE, África do Sul
Este colete que Masande trocou me deixou muito feliz. Ele usou o colete muitas vezes nestas duas semanas e antes de trocar me disse que olhando o colete eu iria lembrar dos amigos da áfrica: Massande e Masizole da África do Sul, Tic Tac e Tiny de Gana, Maria e Duncan do Kenia, Alice e Francine de Ruanda.

Moitará 129 – YASSIN SAHO, Londres, Reino Unido
Trocado por uma lanterna vermelha-chaveiro.

Moitará 202 – DUNCAN ASILA, Kenia
Perguntei a Duncan se ele não queria trocar nada comigo. Ele que é geralmente muito brincalhão pareceu ofendido disse que já me dera o bracelete (moitará 21-Maria). Eu não pensei duas vezes e para acabar com qualquer mal entendido e entreguei um Moitará para ele. Ficou assim uma troca por uma paz diplomática.

Moitará 27 – NIVEN GANNER, Manchester, Reino Unido
Niver, poeta e mc perguntou se podia trocar por um poema. respondo que sim. ele me trousse este papel com direito a recorte do relógio de Stratford. Este não é seu melhor poema, mas valeu a troca.

Moitará 375 – STEEVE WATTERLOT, França
Steeve trocou por esta camisa que é comemorativa de um prêmio em uma çompetição de Hip Hop que ele ganhou junto com seu parceiro Sofiane (moitará 14) o Battle Le Ring 2006. MK é o nome da dupla deles.

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Antes de falar das trocas em si vou contextualizar as pessoas com quem troquei. Vim a londres para o IFEA (international festival for emerging artists) em que participaram cerca de 40 artistas do mundo a fora e mais uns 10 de Londres. Jovens artistas de várias áreas, alguns músicos, alguns atores e diretores de teatro, dois poetas, uns coreógrafos contemporâneos, umas dançarinas de dança tradicional africana, contadores de história, hip hop dancers, enfim de tudo um pouco dos mais contemporâneos aos mais tradicionalistas totalmente ao gosto do Manifesto UM. Todos juntos por duas semanas num misto de residência artística, experimento etnográfico e turismo cultural numa agenda intensa que incluiu sessões de colaboração, aulas de artes diversas(compartilhei uma vivência de objeto-performance) idas a exposições e espetáculos e convencia diária. Muitas trocas de idéias e diálogos multiculturais, um ambiente muito propício para moitarar…

Fiquei muito feliz de ver a banquina montada na av. paulista no SP-TV. Em Londres, pude utilizar uma estratégia mais pessoal, conversando com cada um sobre o projeto com calma, algumas trocas demoraram dias para se concretizar. Uns demoravam a entender, outros gostavam de cara da idéia e cada troca foi uma relação em si.

os primeiros que “compraram” a idéia foram os trucos. Ao contrário de outros que queriam pensar o quê, como, porque deveria ser trocado e problematizar a questão, Pinar pegou o colar e colocou no pescoço enquanto decidia o que trocaria…

Moitará 400 – PINAR TORE, Turquia

combinamos que ela me daria uma canção de ninar, mais: que me ensinaria a cantar esta canção. Foi certamente a troca mais trabalhosa. aprender música em turco realmente. tive umas 3 aulas depois deste dia.

a canção:

nirri

“Dandiri dandiri dastana

danar girmis bostana

kov bostanci danayi

yermesin lahanayi”

traduzindo: “o touro entrou no campo de melões,

o cuidador do campo de melões espantou o touro

e ele não comeu as verduras”

Moitará 790 – CEMIL BÜYÜKDÖGERLI, Turquia

Cemil me ofereceu uma bela nota de 20 libras turcas. Eu, como um antigo colecionador de moedas, aceitei a troca pensando a nota não como dinheiro, mas como uma bela peça gráfica. de um lado ruínas de um templo grego e do outro um retrato de Mustafa Kemal Ataturk, fundador da Turquia.

Moitará 53 – TAHI MAPP- BORREN, Nova Zelândia

A Tahi foi uma que precisou pensar uns 3 dias. Ela me procurou a noite para trocar estas 3 lindas conchas.

Contou que são da sua praia favorita: Pukerua Bay em Kapiti Coust, Welintonw.

Para chegar lá se passa pelos subúrbios da cidade, depois se sobe um morro de onde se vê toda a baia. Foi nesta praia que ela se apaixonou por seu marido.

Moitará 21 – MARIA KAMAU, Kenya

Maria me ofereceu uma posseira com meu nome escrito. sugeri que ao invés disso escrevesse moitará na pulseira e entreguei um moitará “fiado para que ela pudesse copiar a palavra. alguns dias depois seu colega keniano, Dunkan, pe entregou esta pulseira laranja com estas letras. fiquei sem entender bem se ela reduziu para facilitar ou interpretou uma “iniciais” ou se seu moitará estava com as letras borradas, enfim, aceitei. depois ao falar com ela sobre estas letras ela franziu a testa e trocamos diálogos surrealistas. ela parecia não entender e eu certamente não entendi o que ela dizia, mas sorri e aceitei que a troca incluiu a dificuldade de comunicação.

Maria ajudou também emprestando uma gilete. Com a proibição de objetos cortantes nos aviões era impossível achar uma tesoura ou faca entre os participantes do festival, maria contou que a tesoura ficou apreendida no aeroporto no Kenia, sorte que ela trazia escondida a gilete para poder fazer suas pulseiras.

Moitará 46 – Tic Tac, Ghana

Tic tac trocou por seu último cd, acca conection. um som bem legal misturando hip hop e ritmos africanos.

Moitará 613 – UJJAL DAS, Bangladesh

Ujjal e seu parceiro Sudip de Bangladesh me ofereceram músicas tradicionais de seu país. Usando a regra da diversidade expliquei que já havia trocado por música com Pinar, vendo se eles ofereciam outra coisa. Eles pareceram bem ofendidos na hora. Não sei se entenderam que era só uma negociação. No outro dia Ujjal colocou esta pulseira no meu pulso e disse algo como ” é do meu país”. são contas de madeira pintadas.

Moitará 751 – ALICE MUKAKA, Rwanda

Esta colar é feito de palha. Alice disse que é algo tradicional de Rwanda.

Moitará 212 – NEIL KEATING, londres, Ingraterra

O Neil me ofereceu esta bolsa que vem da Indonésia. disse que foi muito apegado a ela e que a usava muito. a bolsa inclusive tem uns remendos e pode se ver que está bem vivida. Gostei da troca e usei a bolsa diversas vezes na viagem e também de volta ao Rio.

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Moitará 786 – KYLIE ANN SMITH, País de Galles, Reino Unido

Já estávamos na segunda semana do festival e a essa altura já tínhamos alguma vivência juntos. Algumas pessoas começaram a me chamar de “spiritual lider”. Não sei se foi a meditação que propus no grupo em que trabalhávamos ou quando sugeri que todos cantássemos a cantiga guarani “Aia moitará”… Acho que quem começou com isso foram Pinar e Cemil (da Turquia) Pinar gostava de exibir seu moitará explicando com auto-ironia que fazia parte de uma seita em que eu era o líder só pessoas muito especiais podiam possuir o moitará.

Bem, Kylie tinha esse papel na mão e disse que trocaria comigo, mas que eu não poderia ver antes. Para ver tinha que confiar e trocar. confiei e está aí a caricatura.

Moitará 57 – ELISAVET PLIAKOSTATHI, Grécia

Com Elisavet troquei por um sonho que será usado no “materializador de sonhos” um projeto em que materializo em placa de cerâmica os sonhos que recebo. A primeira vez que falei com ela sobre o moitará tive a intuição que ela me daria um bom sonho. Então propus a troca. Alguns dias depois ela sonhou e me contou:

Ela planejava ir de férias para a cidade do seu pai, Horto, uma vila de pescadores. Ela combina de encontrar lá com seu namorado, Vassilis. Como não consegue achar o carro volta para Atenas para buscar Vassilis e irem juntos caminhando para Horto. Quando o encontra ele está diferente, está gordo, envelhecido e feio, muito diferente do que ela conhece. Vestia uma camisa de botões e uma calca com a cintura alta e óculos escuros. Seguem no caminho que não é o caminho real para a cidade. O caminho real leva 5 horas de carro, no sonho eles passam por montanhas, curvas e mais curvas à pé e logo chegam. Ele andava devagar e pesado, não ao lado, mas sempre atrás dela. Ela falava e ele seguia mudo. Chegando a horto, ele fica em um hotel ao invés de ir com ela para casa.

Moitará 537 – MARTA ZDZIEBLOWSKA, Polônia

Marta trocou este par de brincos, São brincos ordinário normais em loja, disse, o especial é que eles foram usados na performance de hoje, então são agora famosos. Ela se referia a mostra que fizemos do processos de colaboração durante o festival. Marta, uma pequena e branca polonesa, se vestia de africana e falava frases em kianyarwuanda eu uma cena cômica.

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