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Troquei com Maya por parte dos fios que usava na sua performance sem título realizada naquele dia na galeria da EAV parque Lage dentro da exposição Encruzilhada.

Na performance ela se enrolada no fio de barbante mantendo a tenção ao longo do corredor onde o fio era conectado a um projetor de cinema que projetava ampliado a imagem dos fiapos. a velocidade da projetando era dada pelo movimento da performer.

moitara maya

 

Caroline queria trocar por uma pulseira. Disse que já temos bastantes pulseiras na coleção que teria de ser uma coisa importante. Então ela me contou que a pulseira era de uma amigo de sua namorada. Que ele disse quer muito importante pra ele. A namorada deu para ela. E ela deu para nós. Entanto a pulsiera era importante para 3 pessoas: Caroline, a namorada e o amigo da namorada. Depois ela ficou em dúvida se a namorada iria achar ruim que ela deu tão preciosa peça. Mas se é para virar arte acha que ele vai entender.

moitara pulseira

Nathalia me deu um anel de coquinho. perguntei o que tinha de especial no anel. Ela disse que é um anel muito pequeno que era da sua irmã e que só cabe no dedo anelar dela e da irmã. Na minha mão coube no mindinho.

moitara anel

Nena nos trouxe a oração de São Francisco que a anos está na sua carteira. Ele diz que é devota e sempre pede ajuda ao santo que tem uma imagem de São Francisco em casa.

Quiz completar a troca com um papel que veio em um biscoito chinês que diz dòu yá que significa segundo o verso do próprio papel  “only the educated are free”

moitara nena

Débora nos trouxe um saquinho de amêndoas e castanhas feito pela sua mãe.

Ela conta que não gostava de nenhum tipo de castanha. até que um dia no carro ela com fome a mãe disse “abre a boca” e colocou vários tipos de castanha na sua boca. Desde então ela passou a amar castanhas. e sua mãe prepara os saquinhos para ele levar de lanche. Perguntei se o lanchinho não ia fazer falta. Ela disse que não e pediu para pegar umazinha antes de entregar o saco.

Como já era próximo a hora do almoço eu tirei a foto e eu comi logo todas as castanhas. Arte efêmera.

moitara castanha

Camila participa do meu curso de performance no Parque Lage. Ela trouxe uns livros e trocou por uma leitura de uns trechos selecionados e pelo pedido de poder usar a palavra difícil. Eu não sou contra a palavra “difícil” apenas uso a estratégia de evitar o uso do difícil como desculpa pra uma tentativa de ação tímida. Afinal tudo é difícil, mas se fosse fácil não chamavam a gente ;)

Depois ela me mandou os trechos que leu:

Leitura parresiástica do difícil

Essa noção de parresía, de fala franca, constitutiva do personagem desse outro indispensável  para que eu possa dizer a verdade sobre mim mesmo, tornou-se agora, evidentemente, para nós, muito difícil de apreender.

Michel Foucault, A coragem da verdade, p. 8

Em suma, para que haja parresía, é preciso que, no ato de verdade haja: primeiro, manifestação de um vínculo fundamental entre a verdade dita e o pensamento de quem a disse; [segundo], questionamento do vínculo entre os dois interlocutores (o que diz a verdade e aquele a quem essa verdade é endereçada). De onde essa nova característica da parresía: ela implica uma certa forma de coragem, coragem cuja forma mínima consiste em que o parresiasta se arrisque a desfazer, a deslindar a relação com o outro que tornou possível precisamente seu discurso. De certo modo, o parresiasta sempre corre o risco de minar essa relação que é a condição de possibilidade de seu discurso. Isso pode ser visto claramente, por exemplo, na parresía-condução de consciência, em que só pode haver condução de consciência se há amizade e em que o uso da verdade, nessa condução de consciência, corre precisamente o risco de questionar e romper a relação de amizade que, no entanto, tornou possível esse discurso de verdade.

Michel Foucault, A coragem da verdade, p. 12

A parresía é, portanto, em duas palavras, a coragem da verdade naquele que fala e assume o risco de dizer, a despeito de tudo, toda a verdade que pensa, mas é também a coragem do interlocutor que aceitar receber como verdadeira a verdade ferina que ouve.

Michel Foucault, A coragem da verdade, p. 13

Não se deixe enganar em sua solidão só porque há algo no senhor que deseja sair dela. Justamente esse desejo  ajudará, caso o senhor o utilize com calma e ponderação, como um instrumento para estender sua solidão por um território mais vasto. As pessoas (com o auxílio das convenções) resolveram tudo da maneira mais fácil e pelo lado mais fácil da facilidade; contudo é evidente que precisamos nos aferrar ao que é difícil; tudo o que vive se aferra ao difícil, tudo na natureza cresce e se defende a seu modo e se constitui em algo próprio a partir de si, procurando existir a qualquer preço e contra toda resistência. Sabemos muito pouco, mas que temos de nos aferrar ao difícil é uma certeza que não nos abandonará. É bom ser solitário, pois a solidão é difícil; o fato de uma coisa ser difícil tem de ser mais um motivo para fazê-la.

Rainer Maria Rilke, Cartas a um jovem poeta, p. 64-65

[grifos meus]

Tudo isso por um pedido: permitir a existência do difícil.

Troquei com Lindon por uma sessão de BMC, Body Mind Centering, que iremos marcar nas próximas semanas.

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